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  • Renan Alves

Sexo durante e após a menopausa! Mulheres contam como mantiveram a vida sexual ativa e prazerosa

A professora aposentada Mirian Pinto, hoje com 51 anos, começou a notar os sintomas do climatério aos 47 anos de idade. Aos 50, parou de menstruar. Com a chegada ao fim do período reprodutivo, calores e falta de lubrificação foram novidades experimentadas por ela. Como consequência, viu sua atividade sexual diminuir.

A vida sexual, que era intensa, está caída. O que atrapalha realmente são os calores e a falta de lubrificação. A libido também reduziu, mas nada que as preliminares não ajudem — ela conta, e afirma que o marido, com quem está casada há 16 anos, entende a situação e espera os calores passarem — O que mais o incomoda é o mau humor.

A preocupação de Mirian é a mesma vivida por muitas mulheres na faixa dos 50 anos de idade. Mas será que o fim da fase reprodutiva significa também o fim do sexo? Afinal, existe vida sexual após a menopausa?

De acordo com a ginecologista Lúcia Helena Paiva, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Climatério da Febrasgo, essa questão envolve muitos fatores. Primeiro, é preciso entender o que é a menopausa e quais são os sintomas mais comuns:

  1. A pausa da menstruação costuma acontecer entre os 40 e 55 anos, sendo mais comum por volta dos 51. Pode-se afirmar que a mulher entrou na menopausa quando ela fica 12 meses seguidos sem menstruar. Já o momento que a antecede é chamado de climatério, que é a transição entre o período reprodutivo e o não-reprodutivo. Ele não tem uma idade definida, e pode começar por volta dos 35 ou 40 anos e ir até os 55, 60 anos.

  2. É aquele calor que vem de repente, principalmente na parte superior do pescoço e no rosto. Também dá taquicardia, palpitação, sudorese… É um incômodo grande e é o principal motivo para as mulheres procurarem um médico. — explica a ginecologista, que também cita a menstruação irregular como um possível incômodo.

  3. Outros fatores como insônia, cansaço e variações de humor decorrentes das noites mal dormidas, tendência a um humor mais depressivo e alterações da memória a longo prazo. Alguns desses sintomas são comuns pelo envelhecimento, e não apenas pela menopausa em si. Perda involuntária de urina e dor para ter relação sexual devido à secura vaginal também podem aparecer.

A boa notícia é que as ondas de calor são mais comuns apenas nos primeiros anos. A médica explica que apenas cerca de 10% das mulheres mantêm o sintoma até os 70 anos de idade. Para a grande maioria, ele aparece no início e vai desaparecendo. Por outro lado, a secura vaginal, dor na relação sexual e perda de urina não aparecem logo de cara, mas progridem ao longo do tempo.

A libido diminui na menopausa?

casal terceira idade deitado na cama, com o corpo e metade do rosto coberto

A diminuição da libido costuma ser uma grande questão para mulheres que entram na menopausa. De acordo com a ginecologista, a atividade sexual é complexa, e pode ser afetada por muitas questões. Uma delas é a variação hormonal que ocorre na menopausa e pode contribuir para a redução do desejo sexual nesse momento.

Além disso, existe também a questão do local vaginal. Com a falta de hormônio, a vagina pode ficar ressecada, e a falta de lubrificação provoca dor durante a relação. Esses fatores contribuem para que o sexo se torne menos prazeroso, e a libido diminua. De acordo com a médica, a parte cerebral também pode interferir, pois uma série de neurotransmissores relacionados a função sexual podem sofrer alterações.

E existe, ainda, o fator psicológico. Aos 50 anos, muitas mulheres estão casadas há décadas, algumas vezes em um relacionamento que já não vai tão bem. No entanto, ela destaca que a mudança na vida sexual do casal não pode ser atribuída apenas à mulher:

— Os homens também estão em uma idade avançada, em que podem ocorrer problemas de saúde e até a disfunção sexual. Não podemos atribuir tudo à mulher, achar que por ela estar na menopausa tem um problema. São múltiplas questões, a responsabilidade sexual é do casal, deve ser dividida com o parceiro ou parceira.

A sexóloga Josi Mota tem um olhar fora do comum para o processo da menopausa. “A gente está muito acostumada a pensar que a menopausa é um game over. Estamos tão habituadas que a maioria de nós já chega derrotada. Todas as fases da vida nos influenciam, não tem jeito, se vai ser negativo ou positivo depende de como a gente vive esse momento. Não quer dizer que a menopausa seja um mito, não é, mas é apenas uma passagem, assim como passamos pela menarca” — defende a sexóloga.

Para Josi Mota, a menopausa é um fator entre vários outros que impactam a vida sexual e não significa o fim dela. Ela defende que o momento poderia, até mesmo, ser uma fase positiva para a vida sexual de um casal. “Por volta dos 50 anos é um período em que os filhos costumam estar crescidos e mais independentes, o casal poderia estar mais estabelecido financeiramente, não vão engravidar… Ou seja, tudo para o casal namorar mais! Vejo mulheres que chegam ao consultório depois da menopausa e quando arrumam um namorado novo se descobrem sexualmente. Você precisa ver o rosto dessas mulheres quando elas descobrem que estão molhadas de tesão com essa nova relação, algo que muitas vezes não tiveram antes” — ela conta.

Como melhorar a vida sexual após a menopausa?

casal terceira idade se abraçando e sorrindo

Para mulheres que experimentam alterações na vida sexual após a menopausa, é ideal o consumo de alimentos que ajudem a aumentar o desejo sexual na menopausa. A inclusão de alguns alimentos na dieta também pode ajudar a aumentar o desejo sexual na menopausa.

cápsula nutracêutica

Complexos vitamínicos naturais é a nova aposta da saúde.

Aposte em alimentos ricos em vitaminas E e ácidos graxos, pois eles ajudam a melhorar a lubrificação natural da vagina, sendo úteis em casos de secura vaginal. Invista em nutracêuticos, os queridinhos do SEC XXI, são complexos vitamínicos totalmente naturais, que são capazes de entregar todas as vitaminas necessárias de uma forma muito mais rápida e eficaz.

Além disso, invista também em alimentos afrodisíacos, como aspargos, chocolate e catuaba, e também nos alimentos termogênicos, aqueles que aceleram o metabolismo do corpo, como a pimenta e o gengibre. Aliás, este último é um importante aliado da mulher que está atravessando a menopausa, pois seu consumo estimula a lubrificação vaginal.

A ginecologista Lúcia Helena Paiva indica procurar um médico para entender o que pode estar acontecendo. Aquelas que antes estavam acostumadas a um ritmo sexual ativo podem encontrar no tratamento hormonal uma boa opção.

Se a paciente tiver indicação, o tratamento hormonal pode ajudar, principalmente com as ondas de calor. É usado o estrogênio e, se a mulher ainda tiver o útero, a progesterona. Para quem quer resolver principalmente o problema sexual, pode ser acrescentado um pouco de testosterona. O tratamento está disponível em várias formulações: comprimido, gel, adesivo… O médico e a paciente vão avaliar, juntos, qual é o melhor” — explica a médica — O lado negativo é o aumento do risco de câncer de mama. Pacientes que tiveram câncer de mama ou de endométrio, infarto e problemas cardiovasculares do tipo não podem usar.

A professora Fátima Gomes, de 54 anos, entrou na menopausa aos 52 e sentiu um impacto no relacionamento sexual com seu marido, com quem está casada há 27 anos. “Na verdade, tudo muda depois de um tempo de casados, as coisas não são como no início do relacionamento. Mas resolvi usar e o resultado foi surpreendente, eu parecia uma nova pessoa. A escolha é nossa, como todo medicamento tem seus benefícios e malefícios. Acho que para fazer esse tipo de tratamento as mulheres têm que se informar ao máximo e ter certeza do que querem” — afirma a professora, que conta ter feito o tratamento por um ano e parado após a melhora dos sintomas.

A médica Lúcia Helena Paiva afirma que existem também recursos para auxiliar nos sintomas vaginais. Lubrificantes podem ser recomendados para usar na hora da relação, e hidratantes ou cremes vaginais podem ajudar como tratamento. Existem também procedimentos mais agressivos, com técnicas novas, como laser e radiofrequência. Além disso, ela menciona que o aspecto psicológico pode ser trabalhado na terapia.

Para a sexóloga Josi Mota, procurar o processo terapêutico é a principal recomendação para quem está frustada com a vida sexual. Ela explica que a relação da mulher com seu corpo, com seu parceiro e sua dinâmica familiar são aspectos que influenciam fortemente o desejo sexual e que precisam ser trabalhados.

“Não precisa necessariamente ser uma sexológa, mas fazer a terapia nesse momento é importante para que ela possa se reencontrar. Muitas mulheres quando chegam na menopausa estão vestindo tanto a roupa da maternidade que se esquecem de si. As que trabalham fora podem estar em um processo de quase aposentar. Junta tudo isso e ela se sente o bagaço. Temos que trabalhar essa autoimagem, resgatar a vivacidade dessa mulher, para que ela possa sentir tesão pela vida e pelos outros” — recomenda a especialista.

A sexóloga cita ainda os exercícios do assoalho pélvico, que também são conhecidos como pompoarismo, e que podem ser usados para fortalecer a musculatura da região e trazer benefícios para a lubrificação. “Com isso, você fortalece o canal vaginal, onde ficam glândulas responsáveis pela secreção que consideramos ligadas à excitação. Uma mulher que tenha uma musculatura do assoalho pélvico bem trabalhada pode chegar à menopausa sem prejuízo dessa lubrificação. Existem fisoterapeutas pélvicos que podem trabalhar isso.”

Para saber como lidar com esse processo e não deixar que ele seja um fantasma para o sexo, veja as dicas de Flávia, da sexóloga Priscila Junqueira e de Cátia Damasceno, especialista em sexualidade.
  1. Não pense que a libido está condenada após a menopausa;

  2. Procure um tratamento adequado e personalizado para você;

  3. Ressecamento vaginal está diretamente ligado ao desejo;

  4. Aproveite para (re)descobrir zonas erógenas além da vagina;

  5. Experimente coisas novas a dois;

  6. Estar na menopausa não é atestado de falta de prazer;

  7. A frequência sexual está associada às suas expectativas;

  8. Você, parceiro, precisa entender o momento.

Sexo com frequência diminui chances de menopausa precoce

Um estudo realizado por especialistas da University College London apontou que mulheres que fazem sexo com mais frequência têm menos chances de ter menopausa precoce. A atividade sexual considerada pelos pesquisadores incluía sexo com penetração, sexo oral, preliminares e/ou masturbação.

A hipótese levantada pelos pesquisadores é de que, se a mulher não está fazendo sexo e, portanto, não tem chance de engravidar, o corpo dela pode “escolher” não investir na ovulação, armazenando energia para outras atividades – como cuidar dos netos, por exemplo.

Façam bom aproveito meninas! 😉

#menopausa

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